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Entrevista: Leonardo Quint - A gestão de resíduos nas cidades é um agenda prioritária para o meio am


Foto: FishEye Photografy


Cada vez mais consumimos novos produtos nos supermercados, optamos por mais praticidade no dia a dia e muitas vezes não nos damos conta de quantos resíduos estamos gerando. Menos ainda nos atentamos para como tem sido o tratamento desses resíduos em nossas cidades.


Nesta entrevista, conversamos com o Leonardo Quint, Presidente do Instituto Palhoça Menos Lixo, parceiros da PDA Esportes na gestão de resíduos nos eventos, para conhecermos mais sobre as ações ambientais que vem sendo defendidas por ele no município de Palhoça, em Santa Catarina.


Leonardo é natural de Florianópolis, casado e pai, Gestor Ambiental com especialização em gerenciamento de resíduos sólidos e especialista na agenda A3P (Agenda ambiental na administração pública). Escolheu a cidade de Palhoça para viver há aproximadamente 15 anos.


Como surgiu o Instituto Palhoça Menos Lixo e qual a atuação que o instituto está dedicado?

O Instituto Palhoça Menos Lixo - IPML surgiu da união de amigos, em outubro de 2017, após inúmeras conversas sobre a nossa insatisfação de como os resíduos e o meio ambiente eram, e ainda são, tratados na nossa cidade.


Estamos atuando em muitas frentes, as principais são a educação e a conscientização ambiental nas escolas e ongs da cidade, a realização de mutirões de limpeza nas orlas das praias e na cidade, além de ações para o reaproveitamento e beneficiamento de resíduos sólidos recolhidos nos mutirões de limpeza.


Os objetivos do IPML são claros: atuar como instrumento transformador levando educação e conscientização ambiental de forma efetiva para todos os cantos de nossa cidade.


Vocês tem um balanço da quantidade de lixo já recolhidos nas praias do município de Palhoça? Quais são os itens mais encontrados?

São inúmeros os feitos conquistados nestes três anos de trabalhos na cidade de Palhoça. Realizamos em média uma ação de limpeza de área pública por mês em comunidades da nossa cidade. Já recolhemos aproximadamente 50 toneladas de resíduos do meio ambiente, dentre este volume, encontramos de tudo, de objetos pequenos e comuns como garrafas pet, canudos e sacolas plásticas até objetos grandes como sofás, fogões entre outros. Mas também tem itens bizarros, como dentaduras, seringas e latinhas de bebidas antigas!


Foto: Instituto Palhoça Menos Lixo


O Instituto Palhoça Menos Lixo vem desenvolvendo parcerias com outras Ongs e também com projetos de outras cidades. Como está indo essa união de forças?

Sim! Ninguém realiza nada sozinho. São muitos os parceiros, Organizações Não Governamentais - ONGs, instituições públicas e privadas.


Desde setembro de 2020 nossas operações são ZERO aterro sanitário! O que isso quer dizer? Em parceria com a Ong Ecolocal Brasil, de Barra Velha/SC, 100% dos resíduos coletados em ações ambientais são reciclados e viram produtos novos diversos que doamos para organizações parceiras e/ou instituições locais.


Além de atuar no nosso foco ambiental, em 2020 estendemos nossa força para além dos resíduos, arrecadando 65 cestas básicas junto de um kit de higiene e limpeza e incluímos um brinquedo. Essas cestas foram entregues para a Ong AEBAS, no Frei Damião em Palhoça.


Em Palhoça há uma lei municipal que determina que eventos esportivos com mais de 500 atletas precisam ter um Plano de Destinação de Resíduos. Você pode nos explicar melhor sobre esta lei e qual o impacto esperado com a sua aplicação?

Esse foi um grande avanço no nosso município! Mas ainda é preciso ter fiscalização por parte do poder público e exigir o Plano de Destinação de Resíduos para liberação do Alvará do evento. Também é importante a adoção por parte das empresas que promovem os eventos em cumprir a legislação. Vamos continuar trabalhando para divulgar essa lei junto aos organizadores de eventos e também como certificadores desse Plano.


Parabenizo a PDA Esportes, pois logo que iniciou suas primeiras atividades no segmento, saiu na frente realizando em uma de suas etapas o que determina a legislação federal e agora municipal.


Você percebe um movimento dos poderes públicos municipal, estadual e federal em favor da gestão dos resíduos nas cidades?

Estamos evoluindo sim, muitos são os exemplos positivos. Na esfera federal vivemos um bom momento com investimentos na cadeia da logística reversa de resíduos, programas da agenda ambiental urbana e auxiliando na extinção de lixões, por exemplo.


Em Palhoça ainda estamos engatinhando. A nossa sugestão para que o município evolua é a elaboração e execução de um Plano Municipal para Gerenciamento de Resíduos Sólidos; ampliar a coleta seletiva direcionando os resíduos coletados para as cooperativas de catadores; a criação de ecopontos disponíveis para a população seria uma medida econômica e de fácil aplicação; além da criação de um espaço de educação ambiental fixo e uma agenda efetiva de ações que possa percorrer toda a rede de ensino da cidade.


Estamos enterrando toneladas de resíduos (recursos) a passos largos, pagando muito caro por isso, e de quebra, deixando de gerar receita e fazer a economia circular onde uma legião de trabalhadores retira da coleta de resíduos sua única fonte de renda.


Como podemos melhorar a conscientização das pessoas sobre o impacto do lixo no nosso planeta? O esporte pode contribuir nesse papel?

É preciso ter educação ambiental na escola desde os primeiros anos letivos. Também precisamos debater constantemente sobre o descarte ideal do lixo, o reaproveitamento de materiais, entre tantos outros temas que estão correlacionados.


Quando vimos um ponto de descarte irregular de lixo em algum local da cidade, o que nos vêm à mente? Porque e como aquilo foi parar ali? Será que quando colocamos nosso resíduo na sacola, o amarramos e colocamos na lixeira em frente a nossa casa, nos livramos do problema? Será que estamos fazendo o correto quando não separamos, reciclamos ou despejamos nossos resíduos em local inadequado?


O esporte é parte desse desenvolvimento e pode contribuir muito para impactar a sociedade, pois disciplina, saúde e bem estar social, valores ligados ao esporte, também estão intimamente ligados à causa ambiental.


Como qualquer outro segmento, o esporte também gera resíduos, que se direcionados de forma correta para o descarte, não só podem como devem gerar receita e viver em harmonia perfeita com o meio ambiente e os seus envolvidos.


E aí, você tem se atentado para a causa ambiental e nessa geração interminável de lixo? E nos seus hábitos diários, já mudou alguma coisa nos últimos anos? Cada passinho que dermos individualmente em direção a um meio ambiente mais cuidado e preservado, contará muito para o equilíbrio do nosso planeta. Te convido a se aproximar do Instituto Palhoça Menos Lixo, ou de alguma outra associação na sua cidade para juntarmos força.


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