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O empoderamento das mulheres no esporte



O “Relatório de Desenvolvimento Humano Nacional sobre Atividades Físicas e Esportivas e Desenvolvimento Humano” (PNUD, 2017a) sobre o Brasil, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, destaca que, na Constituição Brasileira de 1988, o lazer consta como um direito social, e o fomento às práticas esportivas formais e não-formais um dever do Estado (BRASIL, 1988). No entanto, em torno de 65% da população brasileira com 18 anos ou mais de idade não pratica nenhum tipo de atividade física. E este índice baixa ainda mais se levado em consideração marcadores sociais como escolaridade, renda, classe social, deficiência e gênero. Realidade comprovada pelo levantamento, em que a prática de exercícios físicos e esportes por mulheres é 40% inferior aos homens (PNUD, 2017a).


A exclusão das mulheres do mundo esportivo se expressou de muitas formas ao longo da história. E um bom exemplo vem dos Jogos Olímpicos Modernos, com o seu idealizador Pierre de Coubertain, que tinha objeção à participação das mulheres, sendo toleradas apenas em algumas modalidades, ainda que o direito de subir ao pódio tenha sido negado por mais tempo. No Brasil não foi diferente, a história tem vários marcos: em 1934, foi publicado o “Regulamento nº 7”, estabelecendo restrições à prática de exercícios pelas mulheres. Outras duas legislações que restringiram a prática esportiva no País datam de 1941 e 1965, sendo que o artigo 54, da década de 40 afirmava: “às mulheres não será permitida a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país”. Já em 1965, no início do regime militar, foram proibidas algumas modalidades com a seguinte redação: “Não é permitida a prática de lutas de qualquer natureza, futebol, futebol de salão, futebol de praia, polo aquático, polo, rugby, halterofilismo e baseball”. Legislação que foi revogada apenas em 1979.


Mas o cenário começou a mudar no ano em que as mulheres conquistaram o direito ao voto no Brasil, 1932, quando pela primeira vez uma brasileira participou dos Jogos Olímpicos: a nadadora Maria Lenk. Filha de imigrantes alemães, influenciada e apoiada pelo pai, seguiu os passos de outras nadadoras brasileiras, como Blanche Pironnet, Jandira Barroso, Violeta Coelho Neto, Anésia Coelho e Alice Possolo, que também nadaram entre o final da Primeira Guerra Mundial e o início da década de 20. Aos 17 anos, Maria Lenk viajou acompanhada de 66 atletas homens a bordo do navio cargueiro Itaquicê durante quase um mês para ser a primeira sul-americana a competir em uma Olimpíada. Nos Jogos Olímpicos de Londres, em 1936, quebrou dois recordes mundiais de natação. Ao término da sua carreira como atleta, em 1942, tornou-se professora da Escola Nacional de Educação Física e Desportos e, posteriormente, a primeira mulher diretora dessa escola. Integrou, no final dos anos 1960, o Conselho Nacional de Desportos, lutando pelo fim das restrições à prática esportiva feminina impostas pelos autoritarismos do Estado Novo e do Golpe Militar.


A conquista do direito à prática esportiva foi gradual. E se tomarmos os Jogos Olímpicos como referência, na edição seguinte à participação de Maria Lenk, seis mulheres atletas representaram o Brasil em modalidades individuais. Em 1980 as mulheres passaram a representar mais de 10% da delegação brasileira, sendo então possível observar a consolidação e expansão da sua presença nos grupos. Mas foi só a partir de Sydney 2000 que o número de atletas olímpicos brasileiros se aproximou da igualdade de gênero: 111 homens (54%) e 94 mulheres (46%). Já na última edição dos jogos, Rio 2017, o Brasil teve 256 atletas homens classificados (55%) e 209 mulheres (45%).


Considerando que a proporção entre atletas homens e mulheres manteve-se praticamente inalterada nas duas últimas edições dos jogos e que as mulheres representam 51,5% da população brasileira, pode-se afirmar que conquistas ainda precisam ser alcançadas nessa esfera do esporte profissional. Elas também são minoria em cargos de liderança e comando, como treinadoras, dirigentes e árbitras, quando comparadas aos homens.


A mesma realidade é encontrada entre os profissionais prestadores de serviço. Para Juliana Stabile, fotógrafa esportiva, é perceptível o aumento no número de mulheres competidoras em todos os esportes, mas ainda sim, o número de homens é muito maior. “Acredito que as responsabilidades familiares e domésticas interferem muito, assim como o fato de terem uma renda menor do que os homens. No âmbito profissional, o homem é identificado como responsável, líder de um negócio, mesmo que a mulher seja sócia e decida de igual forma”, avalia.


Protagonismo feminino


As primeiras experiências de mulheres brasileiras nos esportes se deram em modalidades que ressaltavam a distinção, a graça, a beleza e a leveza natural dos movimentos femininos, como a ginástica, a natação, o tênis, o voleibol, a equitação e a esgrima (ADELMAN, 2011; FARIAS, 2009; GOELLNER, 2003; SCHPUN,1999). Mas apesar das conquistas, as atividades físicas e esportivas ainda são um campo de significativas desigualdades de gênero. Se comparadas aos homens, as mulheres estão em menor número entre atletas amadores e de alto rendimento.


Nos eventos de natação em águas abertas organizados pela PDA Esportes ainda é pequena a participação das mulheres, representando apenas 36% do total de atletas. Para Nilceia Nunes, nadadora em águas abertas e participantes ativa destes eventos, o desafio está justamente em superar limites.


“Talvez por exigir tantos atributos tipicamente masculinos, como força, nós mulheres ainda somos a minoria. Mas esse número vem aumentando a cada ano, pois aprendemos a combinar o esforço com traços de feminilidade. E é com grande alegria que vivencio a emoção de cruzar uma linha de chegada, sempre com elas, minhas amigas, minha tribo, minhas irmãs das águas”, avalia.


Para ela é uma honra poder compartilhar caminhos e incentivar sonhos. “Tenho orgulho de olhar pra trás e ver que realizei travessias incríveis, treinei com pessoas que me completam e conheci lugares que com certeza não iria se não fosse a natação. Somos o sexo frágil? Que nada. Eu, pelo menos, me sinto a própria Mulher Maravilha”, afirma.


A visibilidade, na mídia, em meios de comunicação e em redes sociais de mulheres atletas contribui na construção de referências femininas para a prática de atividades físicas e esportivas. No entanto, há uma supremacia masculina e do futebol nessa área. A visibilidade de mulheres como atletas ou praticantes de atividades físicas variadas deve ser ampliada.


Vai correr, pedalar, nadar? Convide uma mulher, incentive-as a praticarem um esporte e fortaleça esse empoderamento.


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